CONHEÇA O INSTITUTO LAJE VIVA, QUE TRABALHA NA PRESERVAÇÃO DO ECOSSISTEMA MARINHO EM SANTOS

Parque Estadual Marinho Laje de Santos (Foto: Secretaria Estadual do Meio Ambiente).

Quantas vezes nós, que adoramos mergulho, tivemos que nos deparar com cenas desagradáveis como assistir à degradação de pontos maravilhosos, que aos poucos vão tendo sua fauna e flora reduzidas ou, pior, extintas?

Neste sentido, a atuação de governo, sociedade civil e ONGs é fundamental. Uma das entidades mais ativas nesta vertente é o Instituto Laje Viva, que trabalha arduamente pela preservação da Laje de Santos, onde é possível mergulhar pela ScubiBlue com operadoras como a ATM Diver. 

Para conhecermos melhor este trabalho, entrevistamos a Paula Romano, diretora do Instituto Laje Viva.

Confira os principais trechos da conversa:

Como surgiu o Instituto Laje Viva? Quais são seus grandes objetivos?

O Instituto Laje Viva (ILV) surgiu através de um grupo de mergulhadores indignados com a falta de respeito à legislação do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos (PEMLS). Pescadores ainda insistem em pescar lá, caçadores, em caçar, e outros desrespeitos que observávamos em nossas idas à Laje. Assim, para ajudar nas ações da administração e para fortalecer as ações da sociedade civil, nos juntamos e criamos uma ONG de proteção ao PEMLS.

Que transformações significativas vocês têm visto na Laje de Santos, sejam elas positivas ou negativas?

A criação da unidade de conservação de proteção integral, no caso o PEMLS, é uma prova que a preservação dá certo. Há anos atrás, antes da criação do Parque, a vida havia deixado de existir da forma como é hoje, abundante e que enchem nossos olhos de emoção. Então, mesmo com os pescadores que ainda insistem em ir lá pescar, temos a prova viva que preservar é o resultado mais positivo para conservação.

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Há a falta de interesse público ou de verba, infelizmente. Todas as ações de fiscalização ficam muito restritas e o crime ambiental ainda é visto com muitos “panos quentes”, as punições não são rigorosas, tornando, assim, a Laje muito fácil ao alvo destes bandidos.

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Paula Romano, diretora do Instituto Laje Viva (Foto: ILV)

Quais são os principais projetos do Instituto? Quais os resultados mais relevantes alcançados?

O nosso principal projeto é o Mantas do Brasil, um projeto de preservação destas gigantes gentis do nosso oceano e que todos amam. Vários resultados positivos em prol da conservação deste animal já foram publicados, até a legislação de proibição de pesca desta espécie em aguas brasileiras.

Mai de 150.000 pessoas, divididos entre público adulto e infantil, receberam palestras e aulas de educação ambiental. Desde a fundação do ILV em 2003, alguma sementinha certamente plantamos nestas cabecinhas (risos).

 

Quais são as principais dificuldades encontradas pelo Instituto na execução dos Projetos?

Muita resistência em aceitar trabalhos preservacionistas e falta de verba, para variar.

Como é a aproximação de vocês com órgãos públicos e demais ONGs? Vocês contam com grande apoio?

Somos sempre muito bem recebidos pelos órgãos públicos, principalmente pela Fundação Florestal, ICMBIO (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), Ministério do Meio Ambiente e demais órgãos. Nossos projetos sempre foram aprovados e temos permissão para estudos em toda a área marinha brasileira. Há ONGs que acham que somos concorrentes, então, é difícil falar sobre isso. Na maioria das vezes nos demos muito bem, somos parceiros de várias. No que diz respeito a apoio financeiro, contamos com o Porto de Santos e a Fundação O Boticário atualmente. Já contamos com a Petrobras por 5 anos, mas, por conta de tudo o que anda acontecendo, cortaram a verba dos projetos.

 

Na sua opinião, o que o Brasil ainda precisa fazer em relação à ecologia marinha? Qual seria o papel de empresas, governo e sociedade civil?

Legislações mais severas, mais investimentos e atenção quanto a criação de áreas protegidas, pois hoje em dia não temos nem 2% do território nacional protegido. Pelo que lembrava, o Brasil se comprometeu em ter mais de 15% do seu território protegido por legislações ambientais.

No que diz respeito ao papel das empresas, seria interessante pensar um pouco mais no futuro do planeta, pois um dia os recursos naturais poderão acabar e suas matérias primas e insumos básicos para sua própria existência também poderão ficar escassos, em vez de só pensar em lucro e em como tirar vantagem de tudo.

Como é a atuação do Instituto no Projeto Mantas Brasil?

Temos três fortes vertentes: ações de pesquisa e biologia, de educação ambiental e políticas públicas. Fazer pesquisa com um animal que está quase extinto em nosso território é bem difícil, mas, temos conseguido bons resultados principalmente ao que se refere às Mantas avistadas em Noronha. As ações de educação ambiental são o forte do projeto. Em um ano (a exemplo de 2017) atingimos cerca de 25.000 pessoas diretamente com o nosso trabalho de conscientização e preservação.

Além das raias mantas, quais são as principais espécies encontradas na Laje de Santos?

A Laje é muito rica em vida e esse foi o forte motivo por ela se transformar em Parque Marinho. Um dos principais trabalhos do ILV foi o de fazer um levantamento de espécies de peixes na área e registramos mais de 196 espécies de peixes, só lá.

Entre eles, vários cardumes de peixes de passagem, como bonitos pintados do atlântico, enxadas, olhetes e xaréus, assim como os residentes, as garoupas gigantes da Laje, os badejos, Frades e budiões. E, também, as tartarugas diversas e outras espécies de raias (chita, manteiga e a borboleta). Acho que é o único lugar do Brasil que temos a incidência forte de quatro tipos de raias.

Como Empresas e indivíduos podem se afiliar ao Instituto? E como se dá sua atuação?

Não temos um plano de afiliação atualmente, mas, as pessoas podem contribuir comprando um produto do Laje Viva nos eventos ou mesmo divulgando nossas ações.

Que tipo de parcerias vocês contam para a execução dos projetos do Instituto?

Todos os tipos de parcerias são bem-vindas desde que seja para somar e que seja para o bem e em prol da conservação. Como disse, este ano contamos com patrocínio do Porto de Santos e da Fundação O Boticário, os quais investiram verba para a concretização de nossas ações.

Na sua opinião, qual o papel de mergulhadores e operadoras na preservação de um ecossistema tão rico quanto a Laje de Santos?

Sem as operadoras e os mergulhadores na Laje seria pior a ação dos bandidos, somos fundamentais para a fiscalização por lá. Eu mesma já flagrei vários pescadores, já fotografei, denunciei e também orientei. Somos os olhos de lá, assim como somos os olhos abaixo da linha d´agua. Somos responsáveis por proteger aquilo que outras pessoas não veem.

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