Conheça o OCEAN EYES, o resort de mergulho sobre as águas!

Levante a mão quem nunca pensou em largar a correria do dia a dia para dar a volta ao mundo e viver a vida que sempre sonho.

Pois bem, o casal Alcides Falanghe e Tatiana Zanardi largaram o stress da cidade de São Paulo para realizar um sonho: viver a bordo do Ocean Eyes, um catamarã no qual não só viajam para onde quiserem como também proporcionam turismo e educação ambiental às pessoas com quem encontram.

Mergulhadores, o casal leva dezenas de pessoas todos os anos para os principais pontos de mergulho do Caribe em uma experiência única e espetacular. Ainda, por meio do projeto Ocean Alive, procuram divulgar grandes iniciativas com foco na preservação do meio ambiente.

O blog ScubiBlue conversou com Tatiana sobre toda essa experiência que só o Ocean Eyes oferece.

Aproveite!

De onde veio a ideia e como surgiu o Ocean Eyes?

Nós vivemos a bordo do catamaran a vela Ocean Eyes desde março de 2011. O que nos motivou a vender tudo em São Paulo – apartamento, carros, etc – e mudar com 11 malas para o barco, na verdade, foram diversos fatores. Estávamos cansados da vida urbana e enlouquecedora de São Paulo e não nos imaginávamos morando em nenhuma outra cidade grande. Sempre tivemos a vontade de conhecer e mergulhar em todos os lugares do mundo e a melhor forma de fazer isso seria certamente morando em um barco.

O Alcides já tinha a semente dessa ideia plantada em sua mente há mais de 30 anos, quando já sonhava em dar a volta ao mundo em um veleiro. Há vários anos vínhamos conversando sobre o assunto, mas sempre como uma possibilidade remota.

Eu, por outro lado, sabia claramente o que eu Não queria mais na minha vida. Estava cansada da rotina infindável do dia a dia, que fazia com que todos os dias parecessem iguais e que a vida estava escorrendo pelas minhas mãos.

Em 2009 fizemos uma viagem de 20 dias embarcados para mergulhar na Austrália e nas Ilhas Salomão e esse foi o empurrão final. Decidimos que era a hora de colocar o plano no papel, aproveitar nossa saúde e disposição para uma mudança radical na vida. Planejamos a mudança durante quase dois anos, desde o processo de pesquisa do barco, cursos de capitão amador (o Alcides já era mestre amador desde 1980, eu tive que fazer todos os cursos de arrais a capitão e ele refez os cursos comigo para se atualizar). O contato que tivemos com velejadores experientes antes de soltarmos as amarras foram muito motivadores e nos ajudaram bastante. Sem falar nos inúmeros livros sobre navegação que devoramos antes de partir. Pensando nas possibilidades que eu teria pela frente, fiz cursos também em áreas diversas: gastronomia, gestão ambiental e edição de vídeo. Mal sabia que todos seriam extremamente úteis na minha nova vida.

Há o projeto Ocean Alive, que vocês desenvolvem a sustentabilidade para o mar. Poderia falar mais destes projetos?

O Projeto Oceano Vivo é a linha mestra da nossa viagem. Fazemos coisas variadas o tempo todo. Velejamos, mergulhamos, filmamos, fotografamos, recebemos hóspedes a bordo e exploramos novos lugares. Mas sempre temos em mente o objetivo do projeto, que é documentar em foto e vídeo as mudanças que estão ocorrendo em nossos oceanos, para melhor ou para pior. Além disso, sempre procuramos nos lugares onde visitamos pessoas que estejam desenvolvendo algum tipo de projeto ou trabalho sustentável. Já entrevistamos mais de 30 pessoas relevantes em suas localidades, e temos um arquivos de mais de 5 terabytes de fotos e vídeos que serão compilados em um livro e documentário. Estamos com um site em inglês, mas estamos lançando a versão em português.

Que tipo de mudança vocês veem no oceano nos últimos anos?

Infelizmente estamos assistindo a uma degradação galopante do oceano, desde quando comecei a mergulhar em 95 e o Alcides em 1977. Os fatores são inúmeros e juntos estão alterando a química do mar e, consequentemente, da vida. Não é questão de salvar esse ou aquele animal, mas o ser humano! Isso ninguém entende ou pensa, mas todos os estudos apontam para uma situação extremamente critica para a vida na terra até 2050.

Por isso respeitamos e pedimos que todos respeitem as regras do ambiente marinho onde vivemos. Nas Ilhas Virgens, por exemplo, pede-se para usar poitas (bloco de concreto com determinado formato para fundear o barco em uma posição) e ancorar somente em fundos de areia, nunca em recifes ou de grama (seagrass, onde vivem raias, tartarugas e inúmeros seres). A pesca submarina é proibida, sendo permitida somente com licença e coleta de lagostas somente nativos com licença comercial, fora da época do defeso. As marinas são shark free, ou seja, é proibido chegar com tubarões a bordo. Sempre recolhemos o lixo que encontramos debaixo d’água, desde a costumeira rede de pesca enroscada em corais até uma TV de tela plana abandonada no fundo do mar.

O Ocean Eyes (Foto: Ocean Eyes Productions)

Qual o conceito que vocês desenvolveram para os passeios turísticos que vocês oferecem?

Para nós é muito mais do que um simples liveaboard, pois fazemos de tudo para que os nossos convidados realizem seus sonhos a bordo, uma vez que é uma experiência tão diferente de tudo do que normalmente eles já viveram. Quem fica a bordo conosco será paparicado desde refeições carinhosamente preparadas até passeios inesquecíveis. E o mais legal de tudo é que no final sempre ganhamos novos amigos, que estão em contato com a gente até hoje. É muito diferente de você alugar um barco de uma empresa com tripulação. Nós estamos dividindo o nosso lar com estas pessoas, e fazemos disso um momento muito especial para todos.

Como somos mergulhadores autônomos, isso é outro diferencial que oferecemos. Sempre temos a opção de o hóspede mergulhar quantas vezes quiser durante sua semana a bordo. Fazemos parcerias com as empresas locais nas ilhas que nos fornecem cilindros, equipamentos e, às vezes, barcos de apoio para pontos específicos de mergulho. Temos a bordo algumas nadadeiras e máscaras, e o restante do equipamento o hóspede traz ou aluga na operadora. Escolhemos sempre lugares que são excelentes para a prática do mergulho livre ou autônomo, sendo que não fazemos e nem queremos caça submarina a bordo. Os hóspedes ainda têm a oportunidade de fazer um curso de mergulho ou uma clínica de foto sub com o Alcides, que é instrutor de mergulho e foto sub e um dos fotógrafos brasileiros mais premiados nesta modalidade.

Um outro diferencial nosso é que caso os hóspedes façam mergulho autônomo, podemos filmá-los e fotografá-los debaixo d’água e depois dar de presente uma recordação única de suas férias no mar!

E, por fim, há a opção do hóspede fazer um pouco de tudo ou até mesmo não fazer nada! Somente descansar, curtir o mar, as praias, o barco e as férias paparicadas.

De qualquer forma a principal vantagem é fazer com que o hóspede não tenha que se preocupar com absolutamente nada e se sinta em casa.

Vocês têm 20, 30 anos de experiência no mercado de mergulho no Brasil. O que mudou durante todo esse tempo nessa indústria?

A oferta de cursos, lojas, operadoras aumentou muito, assim como de resorts de mergulho, liveboards e operações de mergulho. Os cursos foram “quebrados” em vários menores, e possibilitam a certificação de mergulhadores em menos tempo, o que não é bom no caso de pessoas que tem mais dificuldade na água e precisariam de um tempo a mais de treinamento. O mergulho teve um “boom” na década de 90 e agora precisaria de algo que motivasse a atividade novamente.

Tatiana Zanardi e Alcides Falanghe, o casal Ocean Eyes (Foto: Ocean Eyes Productions)

Vocês são definitivamente uma realidade no mercado de mergulho do Brasil, o passeio de vocês certamente é um dos mais procurados,com uma experiência sensacional. Com  toda a experiência de vocês, quais são as necessidades do mercado de mergulho hoje, quais são as dores de operadoras de mergulho hoje?

É necessário atrair o publico jovem, mostrar que o esforço para mergulhar vale a pena, pois as novas gerações estão acostumadas com resultados rápidos e, para mergulhar, é preciso ter persistência, pois nem sempre o mar está bom ou a visibilidade está boa e por aí vai.  Guerra de preços também é algo que acaba prejudicando o mercado como um todo. Acreditamos que é preferível oferecer um serviço de altíssima qualidade, que supere as expectativas, e cobrar o valor adequado por isto.

O que vocês acham de uma plataforma como a ScubiBlue? De que forma vocês acham que pode contribuir com o mercado?

Achamos excelente, pois ajudará a divulgar as experiências de mergulho disponíveis no mundo todo e que nem sempre o mergulhador sabe e tem acesso. Concentrar tudo isso em um lugar só é uma ótima ideia, pois possibilitará uma troca de informações muito grande entre os mergulhadores.

Quais foram os destinos que mais te tiraram o fôlego como fotógrafo e mergulhador?

Nossas viagens sempre foram focadas pelos lugares com pontos de mergulho e assim, ao longo destes anos, todos tive a oportunidade de conhecer lugares magníficos com o Alcides como Mar Vermelho, Maldivas, África do Sul, Galápagos, Revillagigedo, Austrália, Ilhas Salomão, Ilhas Fiji, Seychelles, Polinésia Francesa, Tailândia, Myanmar, Caribe, Bahamas e, logicamente, todo o litoral e algumas cavernas do Brasil.

Atualmente estamos oferecendo o liveaboard personalizado nas Ilhas Virgens Britânicas, que diferente de outros destinos de mergulho no Caribe, oferecem uma grande variedade de pontos de mergulho nos incontáveis recifes e nas magníficas formações rochosas do arquipélago, que formam túneis, cavernas e canyons. Mas o que fazem as Ilhas famosas entre os mergulhadores do mundo inteiro são seus naufrágios. Podemos fazer vários naufrágios em uma única semana.

Quer saber mais?

Links recomendados:

O programa da Ocean Eyes a bordo: https://www.youtube.com/watch?v=hWHaCGqMXsc

O Projeto Oceano Vivo em: https://www.youtube.com/watch?v=d3ak0Ur_dug

Vejam o site www.oceaneyesexperience.com

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