ScubiBlue e a PADI agora são parceiras. Veja entrevista com Paulo Koch, fundador da marca no BR

A ScubiBlue acaba de fechar uma parceria com a PADI Brasil, a maior instituição fomentadora do mergulho no Brasil.

A PADI é a responsável pela mais respeitada e cobiçada credencial de mergulho do mundo. Em qualquer lugar do planeta que você vá, o cartão de certificação PADI é reconhecido e aceito. A empresa oferece dezenas de cursos com instrutores experientes, que levam a pessoas comuns a uma verdadeira imersão no mundo do mergulho. Por isso mesmo, a empresa é a maior fomentadora da atividade no Brasil, responsável não só pela popularização da atividade como também pela divulgação dos principais pontos de mergulho do Brasil para o mundo.

Conversamos durante o PADI Dive Festival, evento proprietário da marca que é a maior referência do mercado de mergulho na América Latina, com o co-fundador do B.D.O. (Brazillian Distribution Office) da PADI, Paulo Koch, a respeito do mercado de mergulho e, também, claro, de suas expectativas do impacto que o ScubiBlue terá no país.

Confira os principais trechos da entrevista.

Como tudo começou no Brasil

“Quando eu conheci este mercado, em 1982, não sabia nada sobre mergulho, pois vinha da área administrativa. E na época vi no mergulho uma excelente oportunidade de administrar, que foi o que fiz desde então. Primeiramente eu ‘muambava’ equipamentos de mergulho porque não havia este tipo de produto no Brasil e, na época, pré abertura econômica, não se podia importá-los legalmente. Quando esta abertura, enfim, aconteceu em 1989 por meio do presidente Fernando Collor, eu tive o prazer de montar a primeira importadora de equipamentos de mergulho do Brasil.

Na época pude conversar com um veículo que existe até hoje, que é a Pequenas Empresas & Grandes Negócios. Quando o repórter me perguntou qual era o crescimento mensal do meu negócio, eu falei que girava em torno de algo entre 20% a 25%. Ele sorriu e disse ‘o crescimento anual não, me refiro ao mensal’ e eu disse “é isso mesmo que você ouviu”… eu não sei até hoje porque fui falar isto na televisão (risos), pois a partir daí todo mundo começou a querer montar sua própria loja de artigos de mergulho. Isto é bom? É ótimo, desde que você venha para agregar, pois há aquelas pessoas que entram no mercado simplesmente para ganhar o seu dinheiro sem se importar em fomentar o mergulho. Este sempre foi nosso maior problema: os aventureiros, aquelas pessoas que falam ‘legal, trabalhar com mergulho é sensacional, pois não vou estar em uma mesa de escritório, não vou ter chefe me cobrando, não preciso pegar ônibus ou ficar de carro no trânsito, serei instrutor de mergulho, quem sabe junto um dinheiro e posso montar uma operadora ou uma escola de mergulho’.

“Houve aquelas pessoas que entraram no mercado simplesmente para ganhar seu dinheiro, sem se importar em fomentar o mergulho. Hoje, depois de 35 anos, eu posso dizer que trabalhamos em paz”

Hoje, graças a Deus, depois de 35 anos trabalhando com mergulho, eu posso dizer que hoje a gente trabalha em paz e pensamos só em nosso mercado, sem nos preocuparmos com terceiros.  Agora todas as escolas se preocupam em exigir de seus instrutores que em todos os cursos sejam dados materiais didáticos especializados, além de cumprir com todos os standards junto à suas credenciadoras, fossem elas quais fossem. Isso profissionalizou muito o mergulho, mas muito mesmo.

Fernando de Noronha, por exemplo, é um dos maiores pontos de mergulho do mundo. Se chegar um holandês querendo fazer um curso PADI e quiser o material didático em holandês, eu tenho. Temos em outras línguas também: inglês, alemão, francês, chinês, dinamarquês e isso foi muito bem visto por toda a comunidade de mergulho do mundo inteiro. Hoje o Brasil não deve nada a nenhum outro país em termos de organização, barcos, qualidade de mergulho e ensino, de equipamentos – temos hoje representantes de empresas fabricantes dos melhores equipamentos do mundo –  está muito gostoso trabalhar hoje, muito prazeroso.

Desafios

“Depende muito das regiões do país. Temos excelentes operadoras no Sul do país, mas há algumas associações que acham que o mergulhador vai lá nos pontos para depredar e começam a criar barreiras, normas, leis e proíbem o mergulho. Por causa disso, duas grandes operadoras de lá estão fechando as portas, pois ela vivem do mergulho e vivem em um point específico.

“Ninguém melhor que o mergulhador para preservar o ecossistema marinho. As leis ambientais precisam ser razoáveis de modo a não inviabilizar a prática e o mercado de mergulho no Brasil”

Por exemplo, em Bombinhas, existe um point que é o Arvoredo, um dos lugares mais lindos que tem de mergulho. Aí você vai lá e interpreta que o mergulhador é igual a um pescador, que chegou ali para matar peixe, para quebrar coral e é o contrário: ninguém mais que o mergulhador para preservar isto. E aí este mesmo órgão do governo, ele vai e fecha o ponto: não pode mais mergulhar. Só que não coloca nenhum fiscal a noite para evitar que caçadores submarinos ou pescadores vão até lá para fazer tudo aquilo que eles não querem que os mergulhadores façam.

Então hoje um dos maiores empecilhos para que este mercado cresça de forma organizada e ordenada é esse. Tirar o ego de algumas pessoas e de alguns biólogos que comandam estas instituições e pedir para eles provarem que um grupo de 8 a 10 mergulhadores foi lá causar dano ambiental. Se isso ficar provado, a norma prevalece. Se não me provar isto, a norma acaba. É preciso haver razoabilidade de deputados, que não só abre sua sala ou uma festa para biólogos que vão falar um monte de coisas para ele que não acontecem. Aí este deputado toma as dores destes ambientalistas e propõe estes regulamentos que acabam com o mergulho. E nós somos os maiores preservadores de tudo isso”.

A PADI no Brasil

“É uma coisa muito interessante e que poucos sabem dar valor. O mundo de mergulhadores que temos é altamente superior ao que vemos. E este PADI Festival tem sido bom pois, como eu disse no começo, eu comecei fazendo muamba de equipamentos para depois me tornar o primeiro importador do Brasil e fiquei nesta operação até 2002. Quando eu tive o convite de meu atual sócio, o Cláudio Brandileone, que na época – e até hoje é – funcionário da PADI nos EUA, ele me propôs de a gente montar uma importadora para organizar os livros da PADI. Como eu estava no mergulho mas não entendia nada de credenciamento e nem sabia o que era PADI ele teve que me explicar. Aí eu disse: ‘bem, então e se ao invés de fazermos uma importadora, porque não fazemos os livros em português para o Brasil?’ Aí ele perguntou: ‘mas você nada entende do assunto. Então como vamos fazer?’ Fazendo. Você vai lá na PADI pedir autorização, eu vou atrás de gráficas, tradutor e a gente vai ficar sabendo como faz. Isto foi em abril de 2002.

Há cinco anos atrás, o português já era o idioma que tinha mais materiais produzidos no mundo. Por isso, ganhamos prêmios e bom reconhecimento da PADI”

Comecei a ver tudo e aguardei até setembro de 2002, já não aguentava mais a demora. E numa sexta-feira o Cláudio estava na Califórnia e me ligou: ‘Me encontrei com o John Cronin, que me falou a respeito da autorização que buscávamos. Ele disse: seu sócio é um sujeito chamado Paulo Koch? Sim, é. Liga para ele e diz que está autorizada a reprodução de nossos materiais no Brasil”.  Depois fui descobrir que o John Cronin foi saber de mim em uma das empresas da qual eu importava, que era aquela Aqualung, da qual ele tinha sido sócio há muitos anos.  Foi aí que ele perguntou de mim, procurou referências e autorizou. E aí, em 2002, montamos a PADI no Brasil. A PADI tinha apenas dois livros em português na época, que eram editados nos Estados Unidos, sendo que eles já tinham 32 modalidades de mergulho diferentes, com manuais diferentes. E quando digo manual, não é apenas manual do aluno, é todo o material do instrutor para dar aula. Isso já tinha básico e avançado. O material da PADI é produzido em 28 idiomas no Brasil. Há cinco anos atrás, fora o inglês, o português já era o idioma que tinha mais materiais produzidos no mundo.  Daí ganhamos prêmios e bom reconhecimento da PADI.

Carlos Hernandes, CEO da ScubiBlue, com o fundador do PADI Brasil, Paulo Koch (Foto: Divulgação)

O PADI Dive Festival

“Em 2002 fui convidado para o encontro de membros da PADI lá em Angra dos Reis. Eram 3 dias e 77 pessoas participando.  Chamei meu sócio e perguntei: ‘quantos instrutores temos no Brasil?’, Ele me respondeu: ‘Na faixa 800 a 900’. Poxa, mas então você faz um evento aqui e só vem  77 caras? ‘Pois é, ninguém vem’. Mas aí eu pensei como importador: estou aqui com a nata do mergulho, que são formadores de opinião. Preciso vender para eles. Preciso conversar com eles. Foi aí que disse que queria levar esse evento para São Paulo. ‘ah, mas lá não tem praia’. Mas não precisa de praia para fazer isso. São Paulo é o centro comercial. Foi aí que criei o PADI Dive Festival. Logo no primeiro ano foram 450 membros.  No ano seguinte foram 1500 membros. Cheguei a atingir, há 6 anos atrás, no WTC, 72 expositores, 10 mil pessoas, mais o Jean Michel Cousteau (filho de Jacques Cousteau, ocenógrafo francês pioneiro na exploração dos recursos do fundo do mar).

Mas ainda falta o público entender o mergulho. Quem está na piscina não é mergulhador, são pessoas que não sabem o que é isso.  Isso me motiva. Se você me perguntar quanto o PADI  rendeu para mim em dinheiro nestes 14 anos, eu posso dizer que nada. Nunca entrou em meu bolso um centavo do que o PADI Festival rendeu. Nem a mim, nem a meu sócio. Mas o PADI com certeza aumentou o número de mergulhadores no país. O festival já apareceu nas três grandes redes de televisão de SP. Depois de 35 anos eu acho que estou realizado no mergulho. O PADI Festival é há mais de 10 anos o maior evento de mergulho da América Latina”

 

ScubiBlue

O ScubiBlue é o futuro do mergulho. A relação do setor com tecnologia não é recente, mas existe essa dificuldade das pessoas para encontrar pontos de mergulho interessantes e de acordo com seu nível de proficiência. E as pessoas desistem de ir atrás disso se perceberem que ficará muito complicado. Acho, então, que o mergulhador precisa disso, ele precisa saber responder perguntas como ‘como vou para este lugar?’, ‘quem está lá?’, ‘é de confiança?’. Ele não sabe que existe isso. Portanto o ScubiBlue vem para preencher este vácuo e divulgaremos esta iniciativa com bastante entusiasmo

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